segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sábado a noite

O vestido azul com babados, exatamente três camadas de babados que deixava-me com os ombros nus, meu perfume mais suave, meu colar de elefante, minha rara timidez estava aguçada, minhas pernas de fora, meu sorriso, meu carigã preto em mãos...
Sim, eram todos seus, tudo para você minuciosamente ordenados, como se fosse uma data muito importante, o bom é que assim foi.
Aquele sereno nos envolvendo, o frio e o vento nos fazia companhia novamente e cada vez mais intenso, então você disse:
- Onde está sua blusa?
- Bem, acho que deixei sobre a cadeira, vou buscá-lo, me espere.
Corri uns quinze ou vinte passos, o estúdio estava próximo e seu pai ainda estava lá, olhei meio sem graça e pedi a ele que buscasse meu cardigã, ele gentil como é, deu um sorriso e me devolveu o cardigã.
Como eu não haveria de esquecer o blusa com você tocando diante de mim sua guitarra, encantando me com seus dedos ligeiros tateando o braço da guitarra, o balançar dos cabelos, piscar dos olhos, dentro daquele estúdio quente, sem poder sentir unicamente o seu calor?
Meus pensamentos voavam tão alto quanto os pássaros que vejo planando sobre a imensidão do céu, até se perderem de vista, dentro de mim.
Mas só por estar com você, meu corpo sentia-se livre, minha mente se esvaziava de todos os pensamentos e dúvidas que abrigava, o que se enchia dentro de mim, era meu coração com sangue e amor, a cada batida, a velocidade aumentava, sempre mais forte e tão intenso.
Naquela noite como outras, havíamos conversando sobre assuntos sem propósito algum, seria culpa do nosso pudor ou do nosso jeito de ser?
Palavras não bastavam, creio que nunca bastarão, apenas um olhar, sentir seu gosto, alisar seus cabelos que são mais longos que os meus, morder seus lábios que são mais carnudos que os meus, apertar suas costas que são maiores que as minhas. Você inclinava me o corpo para trás, apertava com força a minha cintura, minhas coxas e meu quadril...
Quando estava indo embora, senti meu corpo formigar, essa era a prova de que o certo era estarmos juntos, se minha boca, minhas mãos sentiam sua falta involuntariamente, imagine a minha mente como estava...
Sempre te quero livre, pois também sou livre, nunca te privo, nunca mando, nunca exijo e nunca peço.
Você sabe exatamente o que faz e o que é bom para ti, sweetheart.

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