sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Sonhos

Sonho com você várias noites, vários dias, ás vezes por dias seguidos, até acordada sonho contigo.
Quando sonho é porque estou no auge da saudade, nossos sonhos são tão diferentes. Os seus tão carnais, sempre tem uma boa transa no meio. Já os meus são tão sentimentais, cheios de segredos, descobertas, mistérios, coisas cotidianas, parques, lagos, patos! Geralmente estou te abraçando, te beijando ou te admirando.
Não vou mentir dizendo que nunca sonhei com sonhos semelhantes aos seus, já sonhei sim, poucas vezes e foram simplesmente maravilhosas.
Saber que tenho você dentro de mim, de duas formas, carnalmente e espiritualmente me deixava com um êxtase indescrítivel.
Meu bem, eu amo você. Isso é claro, mais claro que seus olhos, bem mais.
A vida acabou nos deixando próximos e esse brilho que carrego no olhar, que você tanto diz, foi você que me deu de presente, sem perceber.

Na chuva

Esperando a chuva passar, a carona chegar... Que nada!
Não estava esperando, não gosto de esperar, gosto de agir e assim faço.
Quem espera, fica parado. Quem age, se move para algo, com algo e etc.
A chuva lhe dizia boa noite a cada pingo de água que caia sobre seus ombros, você reclamava fazendo graça, dizendo que chegaria encharcado em casa e que nada disso importava.
Eu sei, a única coisa importante estava diante dos seus olhos.
Me tirando o fôlego, persuadindo me docemente, após dar dois beijos em meu pescoço, o terceiro transformou-se em uma mordida, foi um susto.. Logo, aquela dorzinha que ficou comigo por dias, para me lembrar mais ainda de você, como se precisasse.
Porque tão doce? Porque tão bom?
Não, não... Você não devia ter deixado eu partir, até você confirmou isso!
Não lhe peço que fique a vida inteira comigo, só quero estar com você agora, tocar seus cabelos, deitar no seu colo, enquanto você me embala com seus braços, vendo seu adorável sorriso completando o meu, ou seria ele seu?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Sábado a noite

O vestido azul com babados, exatamente três camadas de babados que deixava-me com os ombros nus, meu perfume mais suave, meu colar de elefante, minha rara timidez estava aguçada, minhas pernas de fora, meu sorriso, meu carigã preto em mãos...
Sim, eram todos seus, tudo para você minuciosamente ordenados, como se fosse uma data muito importante, o bom é que assim foi.
Aquele sereno nos envolvendo, o frio e o vento nos fazia companhia novamente e cada vez mais intenso, então você disse:
- Onde está sua blusa?
- Bem, acho que deixei sobre a cadeira, vou buscá-lo, me espere.
Corri uns quinze ou vinte passos, o estúdio estava próximo e seu pai ainda estava lá, olhei meio sem graça e pedi a ele que buscasse meu cardigã, ele gentil como é, deu um sorriso e me devolveu o cardigã.
Como eu não haveria de esquecer o blusa com você tocando diante de mim sua guitarra, encantando me com seus dedos ligeiros tateando o braço da guitarra, o balançar dos cabelos, piscar dos olhos, dentro daquele estúdio quente, sem poder sentir unicamente o seu calor?
Meus pensamentos voavam tão alto quanto os pássaros que vejo planando sobre a imensidão do céu, até se perderem de vista, dentro de mim.
Mas só por estar com você, meu corpo sentia-se livre, minha mente se esvaziava de todos os pensamentos e dúvidas que abrigava, o que se enchia dentro de mim, era meu coração com sangue e amor, a cada batida, a velocidade aumentava, sempre mais forte e tão intenso.
Naquela noite como outras, havíamos conversando sobre assuntos sem propósito algum, seria culpa do nosso pudor ou do nosso jeito de ser?
Palavras não bastavam, creio que nunca bastarão, apenas um olhar, sentir seu gosto, alisar seus cabelos que são mais longos que os meus, morder seus lábios que são mais carnudos que os meus, apertar suas costas que são maiores que as minhas. Você inclinava me o corpo para trás, apertava com força a minha cintura, minhas coxas e meu quadril...
Quando estava indo embora, senti meu corpo formigar, essa era a prova de que o certo era estarmos juntos, se minha boca, minhas mãos sentiam sua falta involuntariamente, imagine a minha mente como estava...
Sempre te quero livre, pois também sou livre, nunca te privo, nunca mando, nunca exijo e nunca peço.
Você sabe exatamente o que faz e o que é bom para ti, sweetheart.

...

É tão bom te ver tocar, seja sua guitarra, um violão alheio ou meu corpo, você fica com um olhar tão fascinante quando toca. Seu olhar não sabe disfarçar, não mente e não confunde, ele é puro como de uma criança, imagine uma criança quando ganha algo importante, é precisamente assim. Sei que não gosta de ser comparado a uma criança, bebê ou coisas do tipo...
Mas não encontro melhores referências para tentar descrever o seu olhar, se existisse um botão de ''mute'' para a vida, eu o apertaria uma vez, esperaria você começar a falar e tenho certeza que entenderia tudo apenas olhando em seus olhos.

Manhã nublada

Me lembro claramente daquela manhã nublada, o céu branco cheio de nuvens que aos poucos iam escurecendo, havia reunido toda a minha coragem, segundo após segundo, precisava fazer algo tão simples, algo que sabia bem fazer. Mas, parecia tudo difícil, senti medo. Medo é o inverso do amor, são totalmente distintos, extremos diria eu. Então, livrei-me do medo, independente das circunstâncias, elas não pareciam ajudar durante aquele longo dia do mês de Novembro.
Após muita conversa, muitos sorrisos, o tempo passava, passa e passará, como é de sua índole.
Corremos por aquele chão quadriculado, com falhas, velho e que em breve completará seu centenário logo quando nos formarmos, disso nunca esquecerei. Corríamos por aquelas escadas tortas de mármore gastas, era cotidiano subir e descer ao longo dos dias que viravam meses e depois anos, mal percebi o tempo voando sobre nós, durante esses dois anos passados, sinto tanta saudade dos nossos dias. Por fim, chegamos ao anfiteatro para resolver ''pendências'', vulgo preguiça de fazer certos trabalhos.
Quando finalmente nos vimos a sós, como raramente acontecia, isso me tomou com tamanha felicidade, mal consegui esconder em meios sorrisos a alegria contida em mim, bem, isso significava: meio caminho andado.
 Pouco depois, uma ou duas horas depois, não sei ao certo, senti nossos caminhos se distanciando, tomando rumos diferentes... Ou não? Mal sabia que essa idéia de distanciar se tornaria o inverso.
Só sei que ao te dar um caloroso e forte abraço, inclinei levemente meus lábios um pouco mais a direita, o que não era de costume, nem uma vez se quer tive coragem de fazer este feito e me pareceu tão simples e rápido, quando dei por mim vivendo aquele momento, quase que trivial, toquei os seus lábios.
Já você, por sua vez, retribuiu e aceitou veemente o meu gesto, começou a beijar-me delicadamente, apenas me embalando em seus braços enquanto cerrava seus adoráveis olhos verdes.
O tempo parou nesse exato momento, hoje percebo que você se tornou uma engrenagem, a engrenagem que faz tudo parar, que mostra o agora com intensidade nunca antes sentida, o presente eterno só existe com você.