domingo, 21 de agosto de 2011

Deixe.

O dia amanheceu frio, nublado e sem cor, após alguns bocejos notei que agora consigo nomear isto que emites à mim, após longos e pesados meses, é encanto e nele me perco.
Nada mais, nada menos, nada, encanta a cada passo, piscar dos cílios, diria eu, quase tudo. Toma a mim por completa, num só gole, à seco.
Procuro deter a imaginação sobre essas imagens, e por este motivo, elas dilatam-se, ganham mais cor, proporção e eternizam-se.
Desejo fazer-lhe sorrir por horas, beijar-lhe por dias e sentir por anos, fazendo de nossos encontros, agora, tão distantes, aparentemente antigos. Os antigos encontros dos mil erros tomados inconscientemente, devem tornar-se pó, cinzas e para tal, precisamos pôr fogo a nosso passado, juntos.
Se vier, posso garantir que ao te sentir dentro de mim, sem presumir o sopro de felicidade unindo a graça de todos os sentidos, entrelaçaremos nossas almas, antes solitárias e melancólicas.
Gostaria de examinar seu corpo, centímetro após centímetro, apenas para conferir se o que tens por fora está bem, pois o que tens por dentro, deixe comigo, farei o possível por ti, na verdade, já o faço.
Tocar-lhe os nervos da perna, bem próximos aos joelhos, é incomparável de tão agradável, encontrei alguns sorrisos e risos singulares, apertei-os sutilmente com minhas mãos compridas e ligeiras, vejo-te angustiar um pouco, tentando saltar e travar os ossos e tendões, mas vejo uma gota de prazer surgindo em toda a imensidão dessa reação, causada por um simples e querido toque.
Tenho certeza, nascem dos sorrisos a real vulnerabilidade do ser humano que encontramos, é neste momento que todo nosso Eu desperta e não se mostra alerta, apenas ri sem pensar como única opção, após sofrer uma pequena ação. E quem será capaz de me dizer que sorrir de coração aberto, sem maldade, nem ego não é a maior e melhor maneira de manifestar o amor e alegria, demonstrado pelos homens?
Nenhum outro som, fora o som da tua voz e o tom do som de teus risos serão capazes de saciar-me.
Permaneça aqui, não precisará ir tão cedo depois de sentir meus seios estremecendo debaixo de ti. Chegue perto, o mais próximo que conseguir, não tenha medo, não pense; me toque, toque minha cintura, minhas costelas, minhas pernas, minhas tatuagens, todas as partes que quiser e, principalmente, os lábios.
Não desejo o ar, então tire-o de mim agora, desejo ofegar profundamente, apreciar as noites frias e as quentes, admirando você longamente deitado sobre mim, na escuridão da sala, com uma fresta de luz vindo do contorno da janela, iluminando metade de nós, sem pronunciar uma palavra, deixe. Deixe o silêncio falar por nós, em nossas futuras noites, e se for gesticular, que seja para trazer sorrisos à nossas faces, gosto da ternura que deles transmitem. Ah, de nada importa ver metade, ver tudo, ou ver nada, se te sinto por inteiro, até mesmo quando estás nos braços de outra.
E, por favor, nunca se esqueça de nada que te disse, pois isso, é tudo.
Importante é deixar claro as situações nebulosas que escurecem meus dias, espero o dia em que estes olhos meus sejam claros o suficiente ao tentar expressar tudo aqui já escrito. Caso eles não consigam, deixo todos meus versos e processos nas mãos de vento do tempo, não cabe a mim saber ou dizer algo com palavras. Sinto e fantasio, isso basta.
Assim, jogado ao vento, voando por cima de tudo e todos, através do tempo, talvez um fragmento do meu sentimento repouse sobre teus ombros magros e caídos, afim de te tirar da algazarra dos dias monótomos.

sábado, 25 de junho de 2011

Es muss sein

Culpa daquilo no qual não faz respeito a mim, medo de destruir o tesouro construido dia após dia, congestionado de vontades, frenesi de sentimentos.
Então, quando vejo esse sorriso descontráido fazendo contraste a sua personalidade retraída, sinto um prazer imensurável em todas as partes do meu corpo, poderia até tremer com está sensação que me propociona, sem saber.
Tão ingênuo és, tão encantador, bem capaz nem se quer pensar em tamanha loucura de minha parte você me traz, meu...
Meu? Meu nada? Desta maneira que devo chamar-lhe? A condição de meros amigos me corrói de dor, deixa este ser melancólico como nunca fui, faz-me procurar músicas a procura de ti embutidas, procuro as que lhe agradam na procura de te sentir nelas, sentir como se sente ao ouvi-las, só para proporcionar um contentamento descontente ilusório nesse saco de ossos, sangue e carne ao visualizar nitidamente em meus sonhos conscientes todos os traços do seu rosto se alegrando com calmantes músicas.
Nessa condição, a necessidade de engolir as palavras vem, engolir de novo o sentir já sobrecarregado, tristemente segredo em silêncio aquilo que tem fome da voz, fome de ti, fome do dizer chegar aos seus amáveis ouvidos.
Uma pena, total lástima ao mesmo tempo, o melhor a fazer é se manter assim, no ato de não-ação, pois de nada valeria estipulo eu, palavras jogadas ao vento comparadas a teu sentir por...
Por que diabos lhe desejo? Nada tem de ético, de prático, de correto.  E sabe por que? Porque, insustentável é gostar de ti.
Deixo meu pensamento divagando devagar, com ele pelo menos te tenho em meus braços quentes, recostando sua cabeça em meu ombro, beijando lhe os lábios tão rosados, afagando os cabelos levemente enrolados, ao ver seu sorriso a vida ganha um novo sentido, uma faceta de extrema doçura, direcionando suas mãos a manter meus braços trêmulos firmes a teu peito, deitando-se parcialmente sobre mim enquanto as minúsculas gotas de suor exalam de seu corpo e escoem juntando-se as minhas, tornando uma só gota de nós e no alto do abismo de imaginismo, relevo o não poder, o não dever.
Entretando dizer sobre o não querer, seria roubar a oportunidade de saber a verdade, ou seja, mentir. Mentiras não cabem em mim, não saem de mim,  tampouco não gosto que venham a mim.
Talvez tudo se reverta, mas já não sei se gostaria que mudasse, antes espero essa dor permanecendo só em mim, não quero partilhá-la com quem está feliz, trazendo apenas uma bagunça de sentimentos a tona para atordoar.
Do amanhã sei, permanecerei na zona de conforto, para me convencer que Es muss sein.
E ecoa tuas palavras sem toque algum de carinho em minha mente por toda a  noite.
Chega de sonhos por hoje; demais, dói-me o (...)

domingo, 12 de junho de 2011

Tenho dito

Rolando na cama, virando de um lado para o outro, talvez a única maneira de demonstrar esse querer te ter ao meu lado em silêncio para gastar a energia em excesso dentro de mim.
Abraçando forte o travesseiro, como se ele fosse capaz de substituir o seu corpo, a sua presença, você por completo.
Imaginando uma tarde bonita, céu azul celeste com poucas nuvens rosadas, um tom rosa chá no horizonte e um pôr do sol radiante emitindo raios alaranjados que dão uma tonalidade tão agrádavel a tudo, uma energia vital.
Pensando, de tal maneira seria deitar abraçada contigo, sentindo o seu pulmão inflar junto ao meu peito, observando suas mãos alisando amigavelmente meus cabelos, imaginando cada som, lembrando cada ruído, estipulando o ainda não descoberto.
Como se não bastasse imaginar nós admirando o sol em uma praça encantadora, imagino mais além. Em meio aos edredons azuis com branco e pequenas rosas desenhadas num traçado simples, nesta minha cama, o cheiro de sândalo no travesseiro, o frio da madrugada, com toda sua firmeza tomando a mim em seus braços, quero me perder em seus abraços.
O frio dissipando entre nosso calor, nada seria capaz de ofuscar o entrelaçar dos corpos.
De nada adiantaria, se não fosse sua expressão de maturidade desinteressada, tão seguro de si, uma pitada de sagacidade para se mostrar apático aos outros, já que não consegue ser igual a eles,
ainda bem que não consegue, sinto a sua falta interior e a minha. Que diabo está faltando para cairmos em si?!
Teu acolhimento e quietude me fascina, a maneira que arquiteta e põe em prática com a maior determinação suas preferências, pois no meio físico, você se testa e cresce enquanto separa tudo na medida do possível, sem riscos sentimentais, apenas físicos. Você tenta, mas não consegue fugir de si mesmo.
Isso não entra na minha mente, como pode encarar a vida desta maneira?
Realismo.. Naturalismo.. Ceticismo.. De um lado.
E do outro.. Surrealismo.. Simbolismo.. Misticismo.
Opostos, quando juntos tão primorosos. Esta é a palavra, quero compreender o verdadeiro significado: juntos.
Acredito que não há de existir outra maneira de lhe transmitir, muitas vezes devemos ir em frente, abrir mão.
Sem medo, sem ego, sem vaidade, sem preguiça, sem insegurança.
Só amor, amor é o bastante. Tenho dito.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Céu

O sol brilhava forte, veemente como nenhum outro dia, estava de tarde, as árvores pela estrada são um dos motivos que faziam crescer minha felicidade. Felicidade é um estado de ânimo, não o sumo-bem, portanto, existem graus de felicidade e a felicidade em suma, suprema.
Azul que só, o céu. Com nuvens esboçadas como um quadro pintado a tinta óleo ou aquarela. Clima abafado, mas não sufocava, era sempre agradável só por saber que estava ali.
Já a noite, foquei nas estrelas que brilhavam tanto e me perguntei: Porque o céu está tão lindo hoje, se me sinto mal por dentro? Com vontade de por tudo pra fora e lembrei-me que sensações não-físicos não se botam pra fora como gostaríamos, elas se manifestam nesses fracos corpos físicos e se mantém.. Até que se curem.
Todo e qualquer estado emocional se manifesta no físico, mesmo tentando esconder, não existe uma maneira eficaz, e se você tentar segurar... Ele te devora, e gospe os ossos depois, só que essa sua angustia, seu medo, sua carência só te corroem é o que você alimenta, aos poucos isso também te alimenta, mas não quer ajuda e tampouco quer se ajudar, espero que fique bem, bem mesmo, porque um tanto do que aprendi podia lhe ser útil, eu podia tentar aliviar a sua dor. Eu só te quero bem, meu bem.

Lástima

Dentro de um período tão curto de tempo...
Me lembra uma montanha-russa, você sabe exatamente por onde começa, por onde irá andar, segue o caminho certo, exato, quando chega, senta, olha para os lados procurando alguém, esse alguém chega, te acompanha, vocês vão para o alto, o auge, depois caem com a velocidade maior do que subiram.
Foi exatamente assim, amor.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Campo de visão

  Nossos olhos não se encontram mais
  Meus olhos o fazem sozinho
  Encontram a ti sem precisar
  Da presença, inquietante
  Que bem deixou
  No peito meu

  Já não a encontro mais
  No campo de visão
  Perseguido pela ausência
  A presença mostra
  Quão bela ela era
  Talvez ainda seja

  De tal modo chegou
  O tal modo que foi
  E o modo deixou
  Só deixou, nada mais
 
  Cada vez mais tarde
  Mesmo assim tão latente
  Rouba as energias
  E tráz as lembranças
  Colorindo os dias cinzas
  Com a força do pensamento

  Claro e sombrio
  Contrastante o meu sentir
  Embaça minha mente
  Fazendo pulsar meu coração
 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Quando tudo vem

Quando tudo vem de uma vez só, parece que falta espaço para ocupar e acomodar tudo devidamente.
Esse mundo não me pertence, nada nem ninguém me pertence.
Meu pensamento se retém em perguntas faceís de dizer e difíceis de responder:
O que sou? Como estou? O que ocupo nessa imensidão?
Você sabe que já ocupa um lugar aqui, dentro de mim, lhe encaixo nesse espaço que não é insignificante quanto parece, caso não saiba, um dia saberá.
Não desejo apenas imaginar, ninguém vive só de sonhos, quero viver, sentir tudo que possa ser sentido, por mais que a dor venha acompanhada de tanto tanto sentir. Aliás, a vontade de te ter ao meu lado supera qualquer outro tipo de pensamento, qualquer medo que possa vir insensivelmente. Não estou renegando os sonhos, eles me fazem tão bem, mas não são tudo!
Quero expandir, ir além, soltar, despreender o foco de atenção que nos deixa assim, ansiosas.
Ansiedade. Ah, para que?
O que tem de acontecer, simplismente acontece, é involuntário.
Vem, vem, mas vem depressa e mantenha-se aqui aquecendo meu corpo necessitado da sua companhia.
Pode parecer uma chama insáciavel e nítida, será que ela se manterá acessa sempre?
Não me importa, sinto, logo existe.
Isso que chamamos de realidade é finito. Gastar tempo pensando nisso é totalmente desprezível, só há um caminho, uma maneira de descobrir o que é infinito, para sairmos dessa absorção material.
O fato de tamanha importância é, estar, manter, acalmar, harmonizar, fluir, evoluir, amar.
A busca pelo amor puro nos leva a evolução, evolução a fluir com harmonia, acalmando e mantendo, por fim se está.

Inquieta

O que me inquieta é você não poder dizer e eu não poder responder.
Eu não poder te tocar, você não poder sentir.
Eu não poder te admirar, você não poder me enxergar.
Eu não poder gritar, você não poder me ouvir.
Eu não poder te beijar, você não poder prosseguir..
E sem você poder sentir meu gosto, vou vivendo.
Porque posso viver enquanto meus desejos vão crescendo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sentido

Utopia é pensar sobre os sentimentos como se fossem imutáveis, a maioria deles tem um certo prazo de validade, sendo assim eles mudam, eles acabam, eles se vão.
Menos um, há uma excessão, essa pode até se transformar, só que nunca acaba, não tem fim porque é puro e real.
O amor dá sentido a vida.

Respostas

Sei que tenho as respostas sobre tudo, em algum lugar.