segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Manhã nublada

Me lembro claramente daquela manhã nublada, o céu branco cheio de nuvens que aos poucos iam escurecendo, havia reunido toda a minha coragem, segundo após segundo, precisava fazer algo tão simples, algo que sabia bem fazer. Mas, parecia tudo difícil, senti medo. Medo é o inverso do amor, são totalmente distintos, extremos diria eu. Então, livrei-me do medo, independente das circunstâncias, elas não pareciam ajudar durante aquele longo dia do mês de Novembro.
Após muita conversa, muitos sorrisos, o tempo passava, passa e passará, como é de sua índole.
Corremos por aquele chão quadriculado, com falhas, velho e que em breve completará seu centenário logo quando nos formarmos, disso nunca esquecerei. Corríamos por aquelas escadas tortas de mármore gastas, era cotidiano subir e descer ao longo dos dias que viravam meses e depois anos, mal percebi o tempo voando sobre nós, durante esses dois anos passados, sinto tanta saudade dos nossos dias. Por fim, chegamos ao anfiteatro para resolver ''pendências'', vulgo preguiça de fazer certos trabalhos.
Quando finalmente nos vimos a sós, como raramente acontecia, isso me tomou com tamanha felicidade, mal consegui esconder em meios sorrisos a alegria contida em mim, bem, isso significava: meio caminho andado.
 Pouco depois, uma ou duas horas depois, não sei ao certo, senti nossos caminhos se distanciando, tomando rumos diferentes... Ou não? Mal sabia que essa idéia de distanciar se tornaria o inverso.
Só sei que ao te dar um caloroso e forte abraço, inclinei levemente meus lábios um pouco mais a direita, o que não era de costume, nem uma vez se quer tive coragem de fazer este feito e me pareceu tão simples e rápido, quando dei por mim vivendo aquele momento, quase que trivial, toquei os seus lábios.
Já você, por sua vez, retribuiu e aceitou veemente o meu gesto, começou a beijar-me delicadamente, apenas me embalando em seus braços enquanto cerrava seus adoráveis olhos verdes.
O tempo parou nesse exato momento, hoje percebo que você se tornou uma engrenagem, a engrenagem que faz tudo parar, que mostra o agora com intensidade nunca antes sentida, o presente eterno só existe com você.

Um comentário:

  1. Haa' muito lindo Jé.
    A forma que você conta, parece ser até mais bonita e pura do que o real.

    M.

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