segunda-feira, 30 de maio de 2011

Campo de visão

  Nossos olhos não se encontram mais
  Meus olhos o fazem sozinho
  Encontram a ti sem precisar
  Da presença, inquietante
  Que bem deixou
  No peito meu

  Já não a encontro mais
  No campo de visão
  Perseguido pela ausência
  A presença mostra
  Quão bela ela era
  Talvez ainda seja

  De tal modo chegou
  O tal modo que foi
  E o modo deixou
  Só deixou, nada mais
 
  Cada vez mais tarde
  Mesmo assim tão latente
  Rouba as energias
  E tráz as lembranças
  Colorindo os dias cinzas
  Com a força do pensamento

  Claro e sombrio
  Contrastante o meu sentir
  Embaça minha mente
  Fazendo pulsar meu coração
 

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Quando tudo vem

Quando tudo vem de uma vez só, parece que falta espaço para ocupar e acomodar tudo devidamente.
Esse mundo não me pertence, nada nem ninguém me pertence.
Meu pensamento se retém em perguntas faceís de dizer e difíceis de responder:
O que sou? Como estou? O que ocupo nessa imensidão?
Você sabe que já ocupa um lugar aqui, dentro de mim, lhe encaixo nesse espaço que não é insignificante quanto parece, caso não saiba, um dia saberá.
Não desejo apenas imaginar, ninguém vive só de sonhos, quero viver, sentir tudo que possa ser sentido, por mais que a dor venha acompanhada de tanto tanto sentir. Aliás, a vontade de te ter ao meu lado supera qualquer outro tipo de pensamento, qualquer medo que possa vir insensivelmente. Não estou renegando os sonhos, eles me fazem tão bem, mas não são tudo!
Quero expandir, ir além, soltar, despreender o foco de atenção que nos deixa assim, ansiosas.
Ansiedade. Ah, para que?
O que tem de acontecer, simplismente acontece, é involuntário.
Vem, vem, mas vem depressa e mantenha-se aqui aquecendo meu corpo necessitado da sua companhia.
Pode parecer uma chama insáciavel e nítida, será que ela se manterá acessa sempre?
Não me importa, sinto, logo existe.
Isso que chamamos de realidade é finito. Gastar tempo pensando nisso é totalmente desprezível, só há um caminho, uma maneira de descobrir o que é infinito, para sairmos dessa absorção material.
O fato de tamanha importância é, estar, manter, acalmar, harmonizar, fluir, evoluir, amar.
A busca pelo amor puro nos leva a evolução, evolução a fluir com harmonia, acalmando e mantendo, por fim se está.

Inquieta

O que me inquieta é você não poder dizer e eu não poder responder.
Eu não poder te tocar, você não poder sentir.
Eu não poder te admirar, você não poder me enxergar.
Eu não poder gritar, você não poder me ouvir.
Eu não poder te beijar, você não poder prosseguir..
E sem você poder sentir meu gosto, vou vivendo.
Porque posso viver enquanto meus desejos vão crescendo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sentido

Utopia é pensar sobre os sentimentos como se fossem imutáveis, a maioria deles tem um certo prazo de validade, sendo assim eles mudam, eles acabam, eles se vão.
Menos um, há uma excessão, essa pode até se transformar, só que nunca acaba, não tem fim porque é puro e real.
O amor dá sentido a vida.

Respostas

Sei que tenho as respostas sobre tudo, em algum lugar.

domingo, 1 de maio de 2011

Irrelevante ou não

Estranho é o poder que tenho de preencher os outros, saciar os outros, trazer os sonhos mais insanos á tona, porém sou incapaz ainda de me preencher, não consigo me completar.
Não consigo encaixar esse pedacinho que me falta, sei que falta uma peça.

- Já fui completa, não sou mais. Você é incompleto como eu?
- Sim.
- Porque? O que te falta?
- (Silêncio)
- Você vai ignorar mais uma pergunta hoje, é isso mesmo?!
- É irrelevante.
- Claro que não, me diga, por favor, se fosse irrelevante tu dirias.
- O motivo dos meus irrelevantes são sempre pela mesma causa.
- (Silêncio)

Irrelevante para você significa: ''Não fale sobre isso, você sabe do motivo de todos os meus conflitos são causados por você e todas ás vezes não respondo porque não tenho coragem de dizer claramente o que nós já sabemos.''
Admito que ouvir a palavra irrelevante da sua boca me deixa encantada, porque vejo a minha pessoa imbutida ocultamente nessa palavra.
Como se não bastasse o irrelevante que não tem nada de irrelevante, isso mantêm as coisas como estão, paradas e ás vezes brincando com o tempo.
O teu silêncio lembra um filme, fico na espectativa de que algo aconteça quando o silêncio vem, quem sabe uma palavra proferida, o que será que esta por vir, a Surpresa.
Mas... O silêncio só é quebrado pelas minhas palavras de inquietação, cansa ficar na espectativa de uma ação tua inexistente. Deve ser por isso que a surpresa não vem, eu a espero, quando se espera nada vem.
E quando você inclina sua cabeça perto da minha, afaga meus cabelos e fica me cutucando, me dá um vontade louca de apertar, abraçar forte, sorrir com aquele ar sem jeito e sussurar ''Porque demoramos tanto, me diz.''
A parte do abraço é a melhor de todas, não quero imaginar os meus dias sem teus abraços, por menos tempo que durem.
É como se seu coração estivesse dando um oi para o meu, e com esse gesto, com essa aproximação, eles sentem vontade de estarem próximos cada vez mais.
Hoje passei o dia sem teu abraço, doeu bem pouquinho, sinto falta dele. Sinto falta do seu olhar distante, dos seus olhos aparentemente distraídos (pois estão atentos), das suas pintinhas, tenho conhecimento da existência das outras que estão nas suas costas e desejo conhecê-las um dia, sinto falta da sua barba não feita, das suas veias saltadas,  das suas mãos calejadas, do seu maxilar, da sua letra pequena em itálico, das suas mãos cutucando meu quadril, da entonação da sua voz, das suas marcas, hematomas ou arranhões causados pelos treinos, do seu auto-controle, da sua ética, do seu ceticismo, da sua ironia, da sua inteligência, da sua postura, da sua cordialidade, da sua atenção, das suas lições de química, até da sua preguiça sinto falta.
Um dia sem você me trouxe tanta saudade. Veja o que você fez comigo e mate agora toda essa saudade que deixou. Soa como uma ordem, e mesmo se fosse, você a cumpriria. Você nunca me desobedece, é tão engraçado. Parece que te educo com meus gostos e vontades, faço isso como um teste, uma brincadeira e você aceita com a maior naturalidade, ouvindo minhas bobagens, mas prefiro as abordagens que te deixam sem reação, perdido, envergonhado, acanhado, cercado, calado.

Chegou

Finalmente chegou o dia que me conformei, olhei pra você, senti seu cheiro, analisei seus movimentos, ouvi sua voz, te abracei e nada.
Nada se alterou em mim, rapidamente isso me deixou tão feliz.
Por vários meses andei escrevendo, te vendo com olhos que... Sabe, você me fazia ver o mundo de outra maneira.
É claro como água, só esperaria enquanto ainda sentisse algo, pois bem, acabou, passou. Juro, sem mentiras.
Não sinto, tenho certeza. Despeço-me em pensamento de ti, nessas palavras que não lerás tão cedo, mas um dia, tu lerás e verás quão grande foi.
O motivo da espera se foi, acabou-se. Defendo tanto a idéia de viver o agora, não esperar, e me contradizia anteriormente, não mais.
Tudo em nome do amor, do bem querer, do dar sem pedir nada em troca.