domingo, 1 de maio de 2011

Irrelevante ou não

Estranho é o poder que tenho de preencher os outros, saciar os outros, trazer os sonhos mais insanos á tona, porém sou incapaz ainda de me preencher, não consigo me completar.
Não consigo encaixar esse pedacinho que me falta, sei que falta uma peça.

- Já fui completa, não sou mais. Você é incompleto como eu?
- Sim.
- Porque? O que te falta?
- (Silêncio)
- Você vai ignorar mais uma pergunta hoje, é isso mesmo?!
- É irrelevante.
- Claro que não, me diga, por favor, se fosse irrelevante tu dirias.
- O motivo dos meus irrelevantes são sempre pela mesma causa.
- (Silêncio)

Irrelevante para você significa: ''Não fale sobre isso, você sabe do motivo de todos os meus conflitos são causados por você e todas ás vezes não respondo porque não tenho coragem de dizer claramente o que nós já sabemos.''
Admito que ouvir a palavra irrelevante da sua boca me deixa encantada, porque vejo a minha pessoa imbutida ocultamente nessa palavra.
Como se não bastasse o irrelevante que não tem nada de irrelevante, isso mantêm as coisas como estão, paradas e ás vezes brincando com o tempo.
O teu silêncio lembra um filme, fico na espectativa de que algo aconteça quando o silêncio vem, quem sabe uma palavra proferida, o que será que esta por vir, a Surpresa.
Mas... O silêncio só é quebrado pelas minhas palavras de inquietação, cansa ficar na espectativa de uma ação tua inexistente. Deve ser por isso que a surpresa não vem, eu a espero, quando se espera nada vem.
E quando você inclina sua cabeça perto da minha, afaga meus cabelos e fica me cutucando, me dá um vontade louca de apertar, abraçar forte, sorrir com aquele ar sem jeito e sussurar ''Porque demoramos tanto, me diz.''
A parte do abraço é a melhor de todas, não quero imaginar os meus dias sem teus abraços, por menos tempo que durem.
É como se seu coração estivesse dando um oi para o meu, e com esse gesto, com essa aproximação, eles sentem vontade de estarem próximos cada vez mais.
Hoje passei o dia sem teu abraço, doeu bem pouquinho, sinto falta dele. Sinto falta do seu olhar distante, dos seus olhos aparentemente distraídos (pois estão atentos), das suas pintinhas, tenho conhecimento da existência das outras que estão nas suas costas e desejo conhecê-las um dia, sinto falta da sua barba não feita, das suas veias saltadas,  das suas mãos calejadas, do seu maxilar, da sua letra pequena em itálico, das suas mãos cutucando meu quadril, da entonação da sua voz, das suas marcas, hematomas ou arranhões causados pelos treinos, do seu auto-controle, da sua ética, do seu ceticismo, da sua ironia, da sua inteligência, da sua postura, da sua cordialidade, da sua atenção, das suas lições de química, até da sua preguiça sinto falta.
Um dia sem você me trouxe tanta saudade. Veja o que você fez comigo e mate agora toda essa saudade que deixou. Soa como uma ordem, e mesmo se fosse, você a cumpriria. Você nunca me desobedece, é tão engraçado. Parece que te educo com meus gostos e vontades, faço isso como um teste, uma brincadeira e você aceita com a maior naturalidade, ouvindo minhas bobagens, mas prefiro as abordagens que te deixam sem reação, perdido, envergonhado, acanhado, cercado, calado.

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